terça-feira, outubro 10, 2006

Road to Euro 1984 (parte III)

Para alcançar o apuramento para a fase final do Euro 1984, pela primeira vez na sua história, Portugal tinha duas autênticas 'finais' para disputar. A primeira, à qual se refere esta crónica, seria contra a Polónia, em Wroclaw.
Recordo-me de, no dia do jogo, disputado em Outubro de 1983, estar ansioso em relação ao mesmo e de recear perder um momento que fosse da transmissão televisiva, já que se disputou, estranhamente, numa 6ª feira, dia da semana em que tinha aulas à tarde (na altura frequentava o 1º ano do ciclo preparatório - actualmente designado por 5º ano). Tanto mais que a hora que tinha registada como sendo a de início do jogo era 16h00 e as minhas aulas acabavam às 16h30. Como era um rapaz muito bem comportado :-), ainda assim resisti à tentação de me "baldar", até porque as consequências podiam ser bem desagradáveis...
Assim que terminou a última aula, eu e um colega meu, que também era meu vizinho, desatámos a correr para casa (que não sendo propriamente longe da escola, naquele dia parecia ficar a anos-luz de distância), para apanhar pelo menos a 2ª parte.
Ao chegar a casa, fiquei espantado por o jogo ainda não ter começado... Não me recordo a que horas teve início o jogo, mas felizmente era consideravelmente mais tarde que as 16h00 que tinha em mente.

Quanto ao jogo, estava bastante curioso acerca da atitude que Portugal iria assumir. Como referi num post anterior, a Polónia era considerada uma das melhores selecções europeias da altura (3ª classificada no mundial de 82).
No entanto, enquanto que a Polónia já nada tinha a perder (com 2 derrotas e 1 empate já estava arredada do apuramento), Portugal tinha de jogar tudo por tudo, mesmo apesar de estar a jogar fora.
Em suma, tinha de assumir o controlo do jogo, o que não era muito habitual nas equipas portuguesas, quando jogando fora.
Embora há distância de mais de 20 anos me seja difícil recordar dos pormenores do jogo, recordo-me de Portugal ter assumido o controlo do jogo que se impunha, perante a necessidade de ganhar. O facto é que com a qualidade do jogadores de que dispunha, tinha todas as condições para isso.
De facto, nesse jogo sobressairam algumas das qualidades que ainda hoje são reconhecidas ao futebol português: grande capacidade para fazer circular a bola e grande mobilidade dos jogador. Recordo-me de dois jogadores que foram fulcrais nesse jogo: o Gomes, que sendo ponta de lança, recuava muitas vezes para 'fazer jogo' com os colegas do meio campo e do Carlos Manuel, o grande dinamizador de jogo.

A primeira grande oportunidade de golo de que me recordo pertenceu ao Carlos Manuel, em que apareceu isolado, à entrada da área, descaído para a direita, mas chutou por cima.
Provavelmente o Carlos Manuel estaria 'apenas' a treinar-se já que, ainda na primeira parte, e num remate praticamente da mesma posição em que havia falhado o anterior, o Carlos Manuel conseguiu rematar com sucesso, obtendo o único golo do jogo. Um excelente golo diga-se, não só pelo remate em si, mas também pela jogada, onde sobressaíu a sequência de 'tabelinhas' entre o Carlos Manuel e o Gomes.

Como a memória não dá para tudo, já não me lembro tão bem da segunda parte. A principal preocupação terá sido, certamente, defender o resultado.
Mas como na grande maioria dos jogos de futebol, o que fica, em primeiro lugar, para a história, é o resultado. E para quem teve a oportunidade de assistir ao jogo, os golos marcados.

A primeira 'final' estava ganha, faltava a derradeira e, porventura, mais difícil 'final': contra a URSS, no Estádio da Luz.

3 Comments:

At 4:04 da tarde, Blogger S.L.B. said...

Não tenho grande recordação desse jogo e muito menos que se disputou numa 6ª feira. De facto, o futebol naquele tempo não tinha nada a ver com o que é hoje. Mas lembro-me do golo até porque o revi há pouco tempo :-)

P.S. - Como disse no comentário abaixo, e porque nunca é demais repetir, bem-vindo de volta! :-)

 
At 9:25 da tarde, Anonymous JFilipe said...

Boas! Bem, na ressaca de um jogo fora com a Polónia veio mesmo a calhar. Desse jogo só me recordo do golo. O que veio a seguir lembro-me bem da ansiedade antes do jogo. É estranho como naquele tempo levava o futebol tão a sério (ainda levo um bocado mas na altura era mesmo doente).

Fico contente por estares de volta.

 
At 10:28 da manhã, Blogger tma said...

Obrigado, JFilipe :-)
Em relação ao futebol e à sua importância, subscrevo algo que uma vez li, que dizia algo como de entre as coisas sem importância na vida, o futebol é das mais importantes. E no que se refere ao futebol, e enquanto espectador, para mim o Benfica é ainda mais importante que o futebol de um modo geral. Por outro lado, e excluindo os jogos do Benfica, gosto muito mais de jogar do que de assistir. Não deixaria de jogar uma partida entre amigos para assistir a um final da CL, por exemplo (excepto se o Benfica estivesse presente, claro!).

 

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